Entendendo o Sábado

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Ah, como é mal compreendido o mandamento de guardar o sábado! Ao invés de ser um deleite, um repouso para a alma, acaba sendo um peso enorme, provocado pela sucessão de podes e não podes!

Mas, em meio a tanta confusão e bobagem sendo dita, encontrei um comentário de uma pessoa que realmente compreendeu muitíssimo bem o espírito da coisa. E ele me autorizou a usar esse exemplo que abaixo narro.

Uma vez conversando com Antonio, um amigo que trabalha bastante, ele me relatou algo bastante curioso. Sempre que pode, ele tira um dia para descansar. Nesse dia, deita no sofá e procura relaxar. Se a esposa pede algo, ele brinca e diz: Hoje não posso, estou no meu sábado (Shabat)!

Como é raro encontrar pessoas como o Antonio, que entenderam de fato o espírito da coisa!

As Razões
O mandamento do sábado aparece em duas situações: Na criação, onde é dito: “E havendo o Senhor acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito.” (Gn. 2:2)

Qual o objetivo de trazer essa informação aqui? É simples: Mostrar que o repouso é algo que foi programado desde a criação. Nem você, nem os animais, nem a terra e nem mesmo as plantas foram criados para trabalhar ou produzir direto, sem descanso.

Esse motivo é a razão do Decálogo dizer: “Porque em seis dias fez o Eterno os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Eterno o dia do sábado, e o santificou.” (Êxodo 20:11)

O segundo momento importante aparece na versão do Decálogo que está em Deuteronômio: “Porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito, e que o Eterno teu Senhor te tirou dali com mão forte e braço estendido; por isso o Eterno teu Senhor te ordenou que guardasses o dia de sábado.” (Dt. 5:15)

A razão pela qual isso é trazido nesse ponto é justamente porque o povo havia se esquecido de como era ser livre. E duas coisas poderiam acontecer: A primeira é que o povo trabalhasse até a exaustão, como fazia no Egito.

A segunda é passar de explorado a explorador. Isto é, explorar seus servos e animais, fazendo-os trabalhar sem descanso. Esse é o motivo pelo qual a Bíblia coloca grande peso no sábado. Se houvesse apenas uma pequena multa, os senhores poderiam preferir pagar a multa e ter seus servos trabalhando.

Não abdique do repouso bíblico
Observei isso, certa vez, com minha esposa quando estudava para um concurso. Passava noite e dia estudando, mas no sábado era “obrigada” a descansar. E podia dormir e relaxar. E certamente foi muito melhor no concurso do que teria ido se tivesse fritado o cérebro estudando sem descanso.

Observar o sábado não é procurar estrelas no céu, tentar entender se o crepúsculo a ser observado é o crepúsculo civil, ou ficar contando as horas até poder ir ao cinema. Tais coisas são vã religiosidade que acaba por tornar o sábado (Shabat) um dia angustiante.

A Simplicidade do Conceito
O conceito do sábado é tão simples quanto a prática do Antonio: Tirar um dia pra você, sua família e seus empregados (caso tenha) possam estar juntos, tranquilos, sem preocupação com trabalho, estudo, nunca deixando de fazer isso por causa de suas obrigações!

O povo judeu tem hábito de fazer isso da noite de sexta para a noite de sábado. Mas, mesmo assim, há divergências históricas entre segmentos judaicos sobre a partir de que momento contar e até quando, qual o dia correto e até mesmo se oi dia começava ao pôr-do-sol ou ao nascer.

Lembre-se: A Bíblia nunca se preocupou em estabelecer regras de calendário, como calcular dias e meses, etc. E, não à toa, isso já foi motivo de muita discussão a partir do exílio.

E lembre-se ainda: A ideia de achar que o dia começa ao pôr-do-sol por causa de Gênesis 1, além de discutível (pois muitos comentaristas interpretam o oposto), é ingênua por duas razões: A primeira, porque os dias da criação não são dias literais de 24h. A segunda é que, mesmo se fossem, se era pôr-do-sol no Brasil, era nascer do sol no Japão e vice-versa. A terra não vivencia a luz do sol por inteiro, de uma só vez!

A ideia do sábado (Shabat) era simples: Todos pararem juntos, para que pudessem ter um dia de repouso e deleite, em família e perante o Criador.

Também não era um dia pra acordar cedo e encher a agenda de rituais e rezas, pois isso é totalmente desnecessário e contrário ao espírito da coisa.

O que fazer
O que o Antonio fez é o que você também deve fazer: Tirar um dia sagrado (separado) para o repouso, seu e de sua família. Um dia no qual vocês possam estar juntos, descansar, orar juntos e relaxar.

E ser bastante rigoroso no sentido de evitar ao máximo deixar de descansar uma vez por semana, pois o seu corpo não foi programado biologicamente pra trabalhar sete dias por semana!

Se você quer tirar esse dia à forma do calendário judaico, muito bem. Se prefere fazer isso à forma de outro calendário que algum segmento israelita já adotou no passado, muito bem também. E se prefere usar o calendário civil e combinar um dia para que possam todos estar juntos, muito bem também.

Só lembre-se de não cair nos dois extremos: Nem no de tornar a data um evento astrológico místico cheio de podes e não podes, nem trabalhar ininterruptamente e toda hora transgredir o propósito do repouso semanal.

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